Conhecimento

Em março de 2026, a gente começou a maior aventura da nossa vida até agora. Deixamos para trás uma vida estável no Brasil, arrumamos nossas mochilas e embarcamos pela primeira vez para a Ásia. E como nunca fomos muito fãs do caminho mais fácil, escolhemos a China como nosso primeiro destino.
Sinceramente, eu nunca imaginei que pisaria na China um dia. Durante muito tempo, parecia aquele tipo de lugar distante demais, complicado demais, cheio de regras, bloqueios e dificuldades para turistas estrangeiros.
Mas depois de passar 20 dias viajando pelo país, percebi que a realidade é bem diferente.
A China pode parecer intimidadora no começo — e em alguns momentos realmente é — mas você consegue viajar por lá tranquilamente quando entende como as coisas funcionam. E, depois que tudo começa a fazer sentido, a experiência se torna uma das mais únicas que você pode viver viajando.
Trens absurdamente rápidos, cidades futuristas, vilas antigas no meio das montanhas, comida inacreditável, tecnologia em outro nível e uma sensação constante de estar vivendo algo completamente diferente de qualquer outro lugar do mundo.
Você só precisa saber algumas coisas antes de chegar lá. E esse artigo existe exatamente para isso.
Aqui estão 10 coisas que aprendi nas primeiras horas, nos primeiros dias, e nos momentos em que tudo poderia ter dado muito mais errado.

1. Instale a VPN antes de embarcar — você não vai conseguir fazer isso dentro da China
Essa é a número um por uma razão simples: se você não fizer antes de sair do Brasil, não vai conseguir fazer de jeito nenhum.
A China bloqueia as maiores lojas de aplicativos, serviços de nuvem e ferramentas de segurança. Isso significa que, se você tentar baixar uma VPN já dentro do país, o app não vai aparecer na busca. O site da empresa vai estar inacessível. Você fica sem opção.
Eu instalei a minha antes de embarcar — e mesmo assim precisei testá-la, atualizar o protocolo de conexão e verificar os servidores recomendados para a China especificamente. Não é só baixar e esquecer.
A que funcionou melhor durante a viagem: NordVPN (melhor custo-benefício, funciona bem no Android e IOS). Há outras opções no mercado — mas essa foi testada por mim, pessoalmente, nas seis cidades que visitei.
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2. O Alipay e o WeChat Pay são obrigatórios — instale e configure antes da sua viagem!
A China é um país de pagamento digital. Não de cartão de crédito, não de dinheiro — de QR code.
Em mercados de rua, restaurantes locais, transporte, em qualquer lugar: a transação esperada é você apontar o celular e escanear. E os apps que dominam esse sistema são o Alipay e o WeChat Pay.
A boa notícia: desde 2023, estrangeiros conseguem usar o Alipay vinculado a cartão internacional. A má notícia: o processo de verificação exige documentos, pode travar por causa de idioma ou configuração de região, e às vezes simplesmente não funciona se você deixar para instalar e criar a conta já no país. Por isso minha recomendação é:
Faça isso semanas antes de viajar. Baixe o Alipay, configure com o passaporte, vincule um cartão internacional (Revolut funcionou em todas as transações bem pra mim), e teste com uma transação pequena. Não deixe para o aeroporto de chegada.
👉 Eu uso o cartão Revolut como conta global para viagens. A menor taxa que encontramos no mercado e você consegue converter até R$1.000 SEM TAXA todos os meses.
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3. O trem de alta velocidade é melhor que o avião para a maioria das rotas internas
Antes de entrar na China, eu tinha a lógica de qualquer viajante ocidental: voos domésticos são mais rápidos e às vezes mais baratos. Saí de lá com uma opinião diferente.
A rede ferroviária da China é, sem exagero, a melhor que já usamos na vida. Trens que chegam no minuto exato, assentos confortáveis, vagões limpos, janelas enormes com paisagens que valem o tempo de viagem. O trajeto de Guangzhou a Guilin por exemplo, passa por montanhas de calcário lindíssimas que sozinhas justificam não ter pegado um voo.
Além disso: o processo de embarque no trem é mais simples do que no aeroporto. Mas chegue sempre com antecedência pois as principais estações são tão grandes quanto aeroportos e tem todo o controle de segurança também. Além de que os trens são MUITO pontuais e não atrasam sequer um minuto.
Para comprar as passagens como estrangeiro, o app Trip.com funciona melhor do que qualquer outra plataforma. Aceita cartão internacional, tem interface em inglês e emite o bilhete no próprio app — que você apresenta no torniquete da estação. O app é muito bom e completo, e ainda te indica o portão de embarque nas notificações do celular.
Se você vai viajar para a China, recomendo já deixar o Trip.com instalado antes de chegar lá. Foi literalmente um dos aplicativos mais úteis da nossa viagem.
👉 Baixar o Trip.com e reservar passagens e hotéis
👉 Veja o guia completo: como pegar trem na China sendo estrangeiro
4. A internet na China não é lenta — ela simplesmente não existe para o que você usa
Essa foi a descoberta mais desconcertante dos primeiros dias.
Não é que a internet seja devagar. É que Google, Instagram, WhatsApp, YouTube, Gmail, Google Maps e praticamente qualquer serviço ocidental está bloqueado em nível de infraestrutura. Com VPN ativa, tudo funciona normalmente. Sem VPN, você tem acesso a um ecossistema completamente paralelo — Baidu no lugar do Google, WeChat no lugar do WhatsApp, Didi no lugar do Uber.
A VPN resolve tudo isso, mas tem um detalhe: a velocidade cai dependendo do servidor que você usa. Nos melhores momentos, funcionava como qualquer 4G de boa qualidade. Nos piores — em cidades menores ou em hotéis com Wi-Fi instável havia lentidão e o VPN nem conectava.
Para esses momentos, um eSIM com dados locais foi nosso plano de contingência. A gente também optou por usar um eSIM da Airalo durante a viagem, e sinceramente tornou tudo muito mais simples. Você instala o chip digital antes mesmo de sair do Brasil e já chega na China conectado, sem precisar procurar loja de chip físico no aeroporto, trocar SIM card ou tentar resolver internet depois de um voo longo.
E outra coisa muito importante que descobri só quando já estava lá, para pagamentos com QR code pelo Alipay você precisa de conexão com internet, então não é opção ficar sem internet na China.
👉 Como funciona o eSIM e qual contratar
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5. Baixe os mapas offline antes de embarcar
Você vai estar, em algum momento, sem sinal, sem VPN funcionando, ou em um lugar onde a internet é instável. Nesses momentos, ter mapas offline salvos é a diferença entre se perder de verdade e só estar explorando.
Apple Maps tem mapas offline que incluem a China com boa cobertura.
Mas o melhor é sempre usar apps chineses. O Amap (Gaode Map) é considerado o melhor e mais preciso aplicativo de mapas na China, com mais de 1 bilhão de usuários. Ele também disponibiliza as rotas de metrô quando você clica em traçar a rota e praticamente usamos ele pra tudo, descobrir rotas, restaurantes ao redor e até atrações turísticas.
O Google Maps, com VPN, funciona bem — mas em momentos de conexão instável ele pode falhar justamente quando você precisa. O offline elimina esse risco.
Baixe os mapas das cidades que você vai visitar antes de embarcar, enquanto está no Wi-Fi de casa.
6. Pagamento com cartão internacional é possível — mas muito mais limitado do que você espera
Hotéis de rede, aeroportos, shopping centers modernos: aceitam cartão Visa e Mastercard sem problema. O resto da China — e é a maioria da experiência real de viagem — opera em QR code.
Minha configuração que funcionou bem:
Alipay vinculado ao cartão Revolut (para uso do dia a dia)
Dinheiro em RMB para situações sem conexão ou em mercados tradicionais (você saca nos caixas eletrônicos do Banco da China ou ICBC com cartão internacional)
Revolut como conta base para câmbio sem taxas absurdas (a menor taxa que encontramos com segurança no mercado)
Não leve real brasileiro — você não consegue trocar em nenhum lugar na China. Leve dólares americanos ou euros se quiser ter dinheiro físico de reserva, ou use o Revolut diretamente e saque em ATMs.


7. A comida de rua é muito mais segura do que parece — e é onde está o melhor da viagem
Eu entendo o instinto. Você chega num mercado noturno de Chongqing, vê espetos sendo fritos numa barraca de rua com clientes em pé ao redor, e pensa "não sei se devo."
Depois de 20 dias comendo de tudo — e não tendo nenhum problema digestivo — minha opinião mudou completamente.
A culinária de rua chinesa é, em grande parte, preparada na hora, em fogo alto, com ingredientes frescos. O risco real está mais em restaurantes baratos com higiene precária do que nas barracas de mercado que têm alta rotatividade e cozinha visível.
Regras simples que funcionaram pra mim:
Escolha barracas com fila de locais (eles sabem o que é bom e o que é seguro)
Prefira coisas cozidas, fritas ou grelhadas — evite crus se estiver inseguro
Leve sempre um antiácido na mochila, só por precaução
O hot pot de Chengdu em barraca de rua foi uma das melhores refeições da viagem. Custou menos de R$ 15.
8. As cidades são maiores do que você imagina — muito maiores
Guangzhou tem 18 milhões de pessoas. Chongqing tem 32 milhões. Chengdu tem mais de 20 milhões.
Isso muda completamente a lógica de planejamento. "Ficar dois dias em Chengdu" não significa ver Chengdu — significa ver um bairro de Chengdu.
Planeje por bairro ou por zona, não por cidade. Decida o que você quer ver, veja no mapa onde fica, e organize os dias de forma que você não passe três horas por dia só em transporte.
O metrô é excelente na maioria das cidades grandes — barato, limpo, pontual, com indicações em inglês. Use o aplicativo Amap e ele irá direcionar as melhores rotas e linhas de metrô na cidade. Para distâncias menores dentro de bairros, o Didi (equivalente ao Uber chinês) funciona bem e aceita pagamento pelo Alipay.
9. O Trip.com é melhor que o Booking para reservas dentro da China
O Booking.com tem listings na China, mas a cobertura é incompleta — especialmente em cidades menores e em regiões fora do circuito turístico ocidental.
O Trip.com (antigo Ctrip, empresa chinesa) tem praticamente todos os hotéis do país, aceita cartão internacional, tem interface em inglês e, importante, filtra naturalmente por hotéis que aceitam estrangeiros.
Usei o Trip.com para quatro das seis cidades da viagem. Em Yangshuo e Guangzhou o Booking ainda tinha boas opções, mas para Hezhou e Huangyao que são cidades muito menores e locais, sem muita concentração de turistas estrangeiros, o Trip.com foi a única plataforma com listings reais e com fotos atualizadas.

10. Vale a pena muito mais do que você imagina
Eu guardei uma dica extra para o fim porque é a única que realmente importa.
Antes de ir, a China me parecia enorme, complicada e talvez superestimada. Sai de lá convencido de que é um dos países mais extraordinários que já visitei — e com uma lista grande de razões para voltar.
A escala das cidades vai te impressionar de um jeito que fotos não preparam. A história que está presente em cada antiga cidade — Huangyao, que tem mais de 1.300 anos, onde andei sem plano nenhum por horas — vai te colocar em perspectiva. A arquitetura de Chongqing, que parece tirada de um filme de ficção científica. Os campos de arroz em gradiente de Yangshuo ao entardecer.
E a hospitalidade real das pessoas que, apesar da barreira de idioma, faziam o possível para ajudar um estrangeiro claramente perdido.
A China é trabalhosa de planejar. Mas é exatamente isso que faz a diferença quando você está lá: você sente que chegou num lugar que a maioria das pessoas ainda não foi — e que a maioria ainda não está pronta para ir.
Essa sensação não tem preço.
Checklist: o que fazer antes de embarcar para a China
Verificar validade do passaporte (mínimo 6 meses de validade além da data de retorno)
Solicitar visto na embaixada se sua viagem for em 2027 (o processo leva de 5 a 10 dias úteis)
obs: Brasileiros não precisam de visto para entrar na China para viagens de até 30 dias. Vigente até 31 de dezembro de 2026
Instalar e testar VPN (ExpressVPN ou NordVPN recomendados)
Baixar e configurar Alipay com cartão internacional
Criar conta Revolut e carregar com a moeda da viagem (Você pode ter na carteira em dolar e a compra converte automaticamente sem taxas)
Contratar eSIM para China (Airalo — planos a partir de US$ 6)
Baixar mapas offline das cidades no Apple Maps ou Amap
Baixar Google Translate com pacote de chinês offline
Baixar Trip.com para reservas internas
Baixar Didi para transporte urbano
Ter em mãos o endereço do hotel em chinês para mostrar em emergência
Quer o checklist completo em PDF para imprimir ou salvar? Baixe gratuitamente aqui
Perguntas frequentes sobre viajar para a China
Precisa de visto para ir à China? Brasileiros não precisam de visto para entrar na China para viagens de até 30 dias, regra válida desde maio de 2025 e oficializada na isenção recíproca vigente até 31 de dezembro de 2026. Depois dessa data o processo é feito presencialmente na embaixada ou consulado, com tempo de aprovação de 5 a 10 dias úteis. Leve documentos como passaporte, foto, comprovante de hospedagem e passagem de volta.
Qual VPN funciona na China em 2025? As mais consistentes são ExpressVPN e NordVPN. Instale e teste antes de embarcar — dentro da China não é possível baixar nem acessar os sites dessas empresas.
Posso usar o Google Maps na China? Sim, com VPN ativa. Sem VPN, o Google está bloqueado. Recomenda-se baixar mapas offline no Apple Maps ou Maps.me como backup.
O cartão de crédito brasileiro funciona na China? Em hotéis internacionais e aeroportos, sim. Na vida cotidiana (restaurantes locais, transporte, mercados), o pagamento é feito por QR code via Alipay ou WeChat Pay. Configure o Alipay com cartão internacional antes de viajar.
Qual a melhor época para viajar à China? Primavera (março a maio) e outono (setembro a novembro) têm o clima mais agradável e menos chuva na maioria das regiões. O verão é quente e úmido. O inverno é rigoroso no norte, mais ameno no sul (Guangzhou, Guilin).
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Viajamos pela China durante 20 dias percorrendo Guangzhou, Hezhou, Huangyao, Yangshuo, Chongqing e Chengdu em 2026. Tudo que está neste artigo é baseado em experiência pessoal direta.
Liberdade não é um destino. É um conjunto de decisões que você começa a tomar agora.
Onde morar. Como investir. Quanto gastar. O que construir. Com quem caminhar.
A Comunidade Jornada de Ouro reúne pessoas que estão tomando essas decisões de forma consciente — e crescendo juntas enquanto fazem isso.
Dentro da comunidade: roteiros reais, planilha de custos por país, relatório financeiro mensal, lives sobre investimentos e patrimônio, grupo ativo no WhatsApp e seu nome nos créditos dos nossos vídeos no YouTube.
Aprender, investir e construir liberdade — de onde você estiver.





